O caso em questao, foi fruto de estudos acadêmicos.
Apresentamos apenas o estudo e nao as conclusoes do mesmo, que poderao ser aportadas em outro artigo do blog.
A idéia, é mostrar a importância e as possibilidades oriundas da introduçao de um modal de transporte de alta capacidade em zonas urbanas. Neste caso é a zona da Av. de Albufera em Vallecas - Madri - Espanha, com a ampliaçao de 2 kms da linha 1 do metrô.
Se o poder público utilizar as políticas públicas - uso de solo, densificaçao, desenho favorável e tributaçao condizente - pode, através destes implementos, realizar a promoçao de crescimento urbano racional e sustentável (cidade compactas e com menos utilizaçao do transporte individual).
O estudo analisa a diversificaçao e o crescimento da atividade econômica e a potenciaçao dos preços imobiliários na áreas próximas à estaçao e constata a existência de um "plus" na zona mais próxima à estaçao...
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ESTUDO DE CASO – PUENTE DE VALLECAS
Este trabalho apresenta um estudo de caso, onde a ampliação de uma linha do Metrô de Madri, ocorrida entre os anos 1991 e 1995, representou um forte elemento na reestruturação do Distrito de “Puente de Vallecas”, organizado administrativamente nos bairros de Entrevías, San Diego, Palomeras Bajas, Palomeras Sureste, Portazgo e Numancia.
Está localizado a sudeste do município, delimitado pela M-30 (Anel de contorno viário da cidade) a oeste, pela A-3 (Autopista para Valencia) ao norte, pela Avenida da Democracia, a linha ferroviária Madrid-Zaragoza e a M-40 (segundo anel de contorno viário da cidade) ao sud
este e o rio Manzanares ao sudoeste.
Figura 1 - Mapa Distritos de Madrid e gráfico da Densidade demográfica (hab./ha) dos bairros do Distrito de Puente de Vallecas – Fonte: Anuário Estatístico da Comunidade de Madrid (2006)
Com 240.917 habitantes é um dos distritos mais populosos da capital, sendo ainda no momento atual, um dos distritos com mais baixa renda per capital. Durante as décadas de 1940 e 1950, recebeu grande contingente de imigrantes oriundos de Andalucia, Castilla-La Mancha e Extremadura, que vieram à capital em busca de melhores condições de vida e trabalho. E em muitos casos, houve a formação de infra-moradias e de favelas, que mais tarde através de operações urbanísticas se buscou erradicar, com a produção de blocos de apartamentos modestos, com preços acessíveis para a população com menos recursos.
Os processos demográficos de formação do espaço metropolitano, ocorridos nos anos 1960-1975, mesmo durante o regime “franquista”, produziram um grande aumento da quantidade de moradias em bairros periféricos ao núcleo urbano, foi então, entre os anos 1986 e 1992 superado com o “boom imobiliário” e em 1996 uma clara onda de investimentos estrangeiros produz uma segunda explosão dos preços dos imóveis na capital.
“A remodelação do espaço urbano consolidado se apoiou em novas e custosas infra-estruturas de transporte, mais rápidas e de maior capacidade, que facilitaram a introdução de novas centralidades, com a inserção de potentes bases operacionais privadas que sobrepõe ao tradicional espaço coletivo”.
O prolongamento da linha 1 – a primeira linha, inaugurada em 1919 pelo Rey Alfonso XIII, na época com oito estações e 3,48 km – com 2 km de extensão e três novas estações (Buenos Aires, Alto del Arenal e Miguel Hernández), a partir da estação de Portazgo na Avenida de Albufera, no período de 1991-95, vem render justiça a este distrito, que mesmo estando próximo ao centro ainda não dispunha de transporte metroviário.
As três estações abriram ao público em abril de 1994 e no entorno da Estação de Alto del Arenal, se desenvolve o presente estudo que visa demonstrar a nítida influência produzida em uma área que recebeu a inclusão de um novo trecho de uma linha de transporte público de alta capacidade como é o caso do sistema metroviário de Madri.
A DINÂMICA URBANA NA REGIÃO DE PALOMERAS
A proposta da pesquisa tem como pergunta central, saber concretamente qual é a magnitude da “participação” do Metro de Madri, na dinâmica territorial. Questiona-se o quanto influi o transporte público e especificamente o de grande capacidade como o metrô, no desenvolvimento socioeconômico e se atua positivamente nas transformações do âmbito urbano.
Terá então duas linhas a serem seguidas como hipóteses, que se pretende demonstrar com o trabalho. Para cada uma das hipóteses, se estabelece um quadro resumo contendo seu objetivo, método e amostra para o estudo.
Hipótese A: “No entorno imediato da estação do estudo, houve alterações, no comportamento das atividades econômicas, que são fruto desta nova realidade – a proximidade à estação do metrô”.
Hipótese B: “Há uma potenciação dos preços das residências nas proximidades da parada do metrô, em relação às residências que se encontram mais distantes, neste mesmo bairro”.
Para a hipótese A:
| Objetivo | Comprovar as alterações do comportamento e as diferenças na concentração das atividades na área proposta, antes e depois da abertura da linha do transporte público sobre trilhos. |
| Metodologia | Comparam-se os estudos anteriores, realizados no ano de 1994 com a situação atual através do levantamento de dados junto à Conserjería de Economía y Hacienda – Dirección General de Economía, Estadística e Innovación Tecnológica de la Comunidad de Madrid e de uma nova pesquisa de campo com entrevistas aos comerciantes locais. |
| Amostra | Estuda-se o total de 239 atividades existentes atualmente na região delimitada de 300 metros do entorno da parada de Alto del Arenal, comparando-as às 176 verificadas no estudo antecedente. |
Para a hipótese B:
| Objetivo | Avaliar a existência da valorização em apartamentos situados em distâncias inferiores a 300 metros das “bocas” do metrô, na estação de Alto del Arenal, com relação aos situados a distâncias maiores no mesmo bairro. |
| Metodologia | Obtenção de preços de venda de apartamentos na página Web especializada (idealista.com) situando-os em um mapa os pontos do estudo. Estabelecer comparações entre os pontos de cada uma das áreas: localizados a menos de 600 metros das “bocas” do metrô e a mais de 300 metros. |
| Amostra | A amostra está composta de 30 apartamentos residências, constantes na oferta da página web www.idealista.com do mês de fevereiro de 2009. |
O estudo anterior citado fez uma analise preliminar, num raio de 900 metros do local de cada uma das então futuras estações onde se há comprovado algumas variáveis urbanísticas e socioeconômicas, ao mesmo tempo em que tentava prever qual seria a influencia futura da abertura da linha do metrô sobre a região, sobretudo qual era naquele momento a expectativa dos agentes econômicos locais com relação a essa melhora da acessibilidade nas áreas imediatamente próximas às novas estações.
O estudo de impacto sobre a atividade econômica ha sido realizado tão somente no entorno imediato aos acessos de estas três “novas” estações em um raio de 300 metros, onde se procedeu ao inventario de toda a atividade econômica e onde se realizou uma entrevista a proprietários dos comércios naquele momento.
Verifica-se que o distrito em questão (Villa de Vallecas) foi um dos mais ativos no setor da construção de moradias, no período imediatamente anterior (1981-1990), construindo-se um total de 17.916 unidades, segundo o “Censo de Vivendas” de 1991, apresentando o quadro abaixo, com as densidades observadas naquele momento e atualizadas para o ano de 2005, no qual se comprova que a densidade habitacional, não sofreu significantes alterações, no período compreendido entre o estudo anterior e a atualidade.
| Bairros do Distrito | (1991) Hab./ha | (2005) Hab./ha |
| San Diego | > 345 | 391 |
| Palomeras Bajas | 135 a 270 | 241 |
| Palomeras Sureste | < 150 | 137 |
| Portazgo | 140 a 280 | 242 |
| Numancia | 125 a 250 | 265 |
Tabela 1 – Densidade de habitantes em 1991 e em 2005 nos bairros do Distrito estudado – Fonte o estudo para 1991 e Anuario Estadístico - Ayuntamiento de Madrid para 2005 – Elab. Própria.
O estudo encontrou uma ampla variedade de atividades e listou e procedeu a classificação segundo o Código Nacional de Atividades Econômicas (CNAE 93). Este mesmo cadastro foi reproduzido, sem, todavia estudos de campo e sim com dados recolhidos junto à Dirección General de Economía, Estadística e Innovación Tecnológica – Consejería de Economía y Hacienda de la Comunidad de Madrid através do cadastro de informação do Diretório de Estabelecimentos, com respeito à estação que tomamos para nosso estudo (Alto del Arenal).
O resultado desta comparação é visualizado nos dois gráficos abaixo em que se representam apenas as atividades cuja freqüência verificada é igual ou superior a duas vezes. O primeiro é o resultado das informações de campo, obtidas durante os estudos de 1994 e o segundo, foi obtido através das informações cadastrais relativas ao ano de 2007, para a mesma área anteriormente cadastrada.
Figura 2– Gráfica das atividades econômicas no âmbito dos 300 metros das bocas do Metrô – Fonte: Estudos de Campo (1994) – Elab. Própria.
Figura 3 – Gráfica das atividades econômicas no âmbito dos 300 metros das bocas do Metrô – Fonte: Diretório de Estabelecimentos (2005) – Elab. Própria.
Percebe-se o aumento de quantidade de 176 para 239 atividades, ou seja, um acréscimo de 36% da atividade econômica e da diversificação quanto ao ramo das atividades que passam de 43 ramos diferentes cadastrados em 1994, para 84 tipos distintos na atualidade, quer dizer praticamente o dobro.
As mercearias, os bares e o comércio varejista de têxtil, respondiam por 58% do total das atividades e atualmente atingem nada mais que 24%. Observa-se o surgimento de outras atividades fruto das mudanças de hábitos de consumo e das novas tecnologias, mas também um incremento em atividades tradicionais que foram potenciadas na nova conjuntura, como bancos que, por exemplo, que passaram de 5 a 11 agências.
Com relação à concentração das atividades, apresenta-se espacialmente, em mapas, tendo uma escala logarítmica iniciando com um valor ente zero e duas atividades para cada 100 metros de rua, seguindo para o intervalo entre dois e quatro atividades para os mesmos 100 metros e logo para o intervalo entre quatro e oito atividades e por fim as ruas que concentram mais de oito atividades para cada 100 metros de extensão.
Convém observar, que na atualidade, a concentração de atividades total em Madrid é de aproximadamente quatro (3,85) atividades para cada 100 metros de ruas (162.445 atividades) distribuídas em 4.217.515 metro de ruas, avenidas, praças, etc., assim podemos dizer que menos de quatro atividades são ruas de baixa concentração e mais de quatro atividades são vias de alta concentração.
Nota-se a evolução da atividade econômica nas proximidades da estação, sobre tudo na Avenida e Albufera onde se encontra a estação propriamente dita e nas ruas mais próximas a esta.
Figura 4 – Concentração de atividades econômicas observadas em 1994 – Fonte o estudo anterior – Elab. Própria.
Figura 5 – Concentração de atividades econômicas observadas em 2007 – Fonte: Diretório de Estabelecimentos – Elab. Própria.
Figura 6 – Gráfica das atividades econômicas no âmbito dos 300 metros das bocas do Metrô segundo anos de abertura – Fonte: Estudo anterior para 1994 e Diretório de Estabelecimentos para 2007 – Elab. Própria.
ENTREVISTA A COMERCIANTES LOCAIS
A entrevista realizada em 1994 objetivava entre outras coisas, conhecer como era a percepção que tinham os comerciantes das zonas próximas às três novas estações, com relação à futura abertura da linha e o que eles esperavam do comportamento de sua clientela frente a essa nova realidade.
Assim, a pergunta determinante par essa questão era: “Você acredita que a abertura da estação possa ter um impacto sobre sua clientela?” e apresentava cinco alternativas para resposta: Muito, bastante, médio, pouco ou nenhum.
Figura 7 – Gráfica do resultado da pesquisa com 207 comerciantes das três zonas situadas a menos de 300 metros das novas estações – Fonte: Estudo de 1994 – Elab. Própria.
A pesquisa mostrou certo posicionamento duvidoso sobre as possibilidades futuras, pois deixado de lado como aspecto positivo o “pouco”, a resposta apresenta uma quase igualdade entre os que avaliam positivamente e os que não vêem muitas vantagens na novidade. Evidentemente, com uma leitura menos conservadora, considerando apenas o “nenhum” como não havendo qualquer influencia, teríamos três entre quatro dos comerciantes, antevendo um futuro melhor.
Para a atualidade, foram efetuadas 85 entrevistas a comerciantes, exclusivamente na zona de interesse, ou seja, em distâncias inferiores a 300 metros da estação de Alto del Arenal.
Perguntou-se inicialmente sobre a temporalidade de existência do comércio se anterior ou posterior à abertura da linha? (P1); se existia anteriormente a este comércio outro no local? (P2); se ao decidir instalar seu negócio, hão tido em conta a proximidade da estação, na eleição do local? (P3); se se fez realidade às expectativas que tinham sobre a influência positiva da proximidade à estação do metrô? (P4) e se acreditam que efetivamente a proximidade à estação do metrô influi positivamente em seus negócios? (P5).
Pode-se comprovar que 12% dos entrevistados têm seu comércio no local anteriormente a abertura da linha, que em 67% dos casos havia um comércio anteriormente no local e que 56% do total, tiver eram suas expectativas correspondidas com relação à proximidade de suas atividades à estação, sendo que, no entanto, 39% não responderam ou por que eram antecedentes ao metrô ou porque não haviam considerado a proximidade à estação na hora da decisão pelo local e tão somente 5% dos comerciantes, não tiveram suas expectativas correspondidas.
Centrando a questão da escolha do local e da influencia efetiva sobre a atividade comercial em relação à proximidade do metro, ou seja, as perguntas 3 e 5 do questionário, o resultado fica condensado no gráfico da figura 15.
Os gráficos da esquerda referem-se aos percentuais obtidos da escolha das alternativas propostas para resposta às perguntas. À direita, está a síntese deste questionário, onde no caso da pergunta número 3, se descarta aqueles resultados não válidos em função da anterioridade da atividade ao metrô ou mesmo da dúvida ao responder.
A síntese atribui às respostas “negativamente, nada e pouco” como sendo não perceber a influencia e “bastante e muito” como sendo as perceber a influencia.
Figura 8 – Síntese das respostas 3 e 5 das 85 entrevistas realizadas para conhecer a opinião dos comerciantes sobre a proximidade ao Metro – Elab. Própria.
VALORES DOS IMÓVEIS
O preço de um imóvel é a expressão de seu valor. Mas, que valor é esse? Qual é o valor do espaço urbano? - Segundo Villaça[6] existem dois valores a considerar neste caso. O primeiro respeito ao valor dos elementos formadores do espaço urbano - edifícios, ruas, praças, infra-estruturas, etc. E outro que se refere ao valor da localização desses elementos dentro da urbanidade e que está associado ao valor de toda a cidade, do qual faz parte.
Desta afirmação, se pode concluir que a produção do espaço é na verdade, a produção da localização. As distintas localizações apresentam distintos valores, associados não somente ao valor dos elementos urbanos existentes, mas também à maior ou menor acessibilidade aos bens e serviços existentes na cidade. Essa diferenciação, entre valores das localizações explica a diferença de valor das áreas urbanas.
Os diferentes valores (traduzidos em preços) assumidos pelas áreas urbanas implicam em una distribuição espacial da população em conformidade com a capacidade da mesma em assumir os custos das localizações especificas. Essa é a razão da existência na cidade de áreas onde predomina grupos sociais homogêneos segundo a ótica da renda.
Assim sendo, ao compararmos valores de imóveis de uma mesma área, estaríamos em tese, comparando valores homogêneos e praticamente iguais – ao menos de certas peculiaridades que pudessem determinar como a localização específica de um ou outro ou mesmo idade do imóvel ou bem padrões de conforto e qualidade do acabamento e maior ou menor acessibilidade, por exemplo.
Dentro desta premissa, realiza-se uma pesquisa dos valores mobiliários nas proximidades da estação e compara os valores da zona do estudo (os 300 metros das “bocas” do metro) com os valores situados em uma zona um pouco mais distante (entre 300 e 600 metros) das mesmas.
A eventual diferença entre os preços médios da amostra A+B (até os 300 m) e da C (entre os 300 m e os 600 m) poder-se-ia associar à proximidade à estação como o fator determinante, deste diferencial, visto serem na grande maioria praticamente da mesma época, e com tipologia e padrões bastante similares.
Figura 9 – Resultado referente à coleta de preços e valores unitários em www. idealista.com em fevereiro de 2009, nas proximidades da estação de Alto Del Arenal – Elab. Própria.
A comparação, entre 14 imóveis ofertados na zona A+B e 16 imóveis na zona C, produz um diferencial de 5,74% maior na média dos valores da primeira com relação à segunda.